Este trabalho foi apresentado em uma das várias reuniões de trabalho.
Nele a ABISA provou que a perda de peso do sabão por evaporação da água não prejudica a sua qualidade, logo, não prejudica o seu consumidor.
Dr. João Francisco Neves
Do ponto de vista químico, sabão é definido como um sal de um sal de ácido graxo. Do ponto de vista comercial, sabão é o produto obtido pela saponificação de uma matéria graxa, geralmente com soda caustica adequadamente formulado de modo a atender as especificações para o seu uso final.
Entre os principais ingredientes que normalmente estão presentes em uma barra de sabão de uso doméstico podemos citar:
- sais de ácido graxos ( em geral sais sódicos);
- água;
- glicerina;
- eletrólitos diversos ( sais);
- ácido graxos livre ou soda livre (em concentrações nunca superiores a 0,3%) ;
- coadjuvantes não eletrólitos; e
- material não saponificado e insaponificáveis.
Destes, os sais de ácido graxos, que são os ingredientes ativos como produtos de limpeza, e a água, são os principais constituintes.
Um produto final anidro, ou seja, sem água, não é verdade impossível de obter. Tecnicamente, ela pode ser eliminada mediante processa mento adequado. Entretanto, qualquer que seja o processo que venha a ser escolhido para sua eliminação, além de muito dispendioso, com reflexos significativos na formação do custo do sabão, não melhorará em nada a qualidade final deste como produto de limpeza. Ressalta-se ainda, que os pequenos produtores, certamente ficariam em situação extremamente difícil em face do aporte tecnológico requerido e do investimento adicional necessário, caso essa orientação fosse adotada.
O mesmo não se pode dizer da presença de água no processo de saponificação, onde sua participação é necessária e obrigatória, para que se tenha no “tacho” as condições adequadas para que as reações entre as matérias graxas e a soda possam acorrer. Acrescenta-se que, dependendo da matéria prima, ácidos graxos, por exemplo, a água constitui um dos produtos da reação de saponificação.
Assim, a obrigatoriedade da presença da água no processo de fabricação do sabão é definitiva e, já que sua eliminação posterior só trair reflexos negativos, tanto do ponto de vista de processamento como devido ao custo adicional a ser creditado ao produto final, sua participação na composição do sabão é no mínimo desejável.
Entretanto, uma barra de sabão assim produzida, por não estar em equilíbrio com a umidade atmosférica, começa a perder água tão logo deixa a unidade fabril. Essa perda é tão mais intensa quanto maior for à temperatura ambiente; menor for à umidade relativa do ar; maior for à superfície exposta e maior for o teor de água no sabão.
Como o principio ativo, o sal de ácido graxo que constitui o sabão, não é volátil, o consumidor não terá prejuízo com essa perda de umidade.
A titulo de ilustração, vamos analisar a evolução de uma barra de sabão que apresentava no momento em que acabou de ser fabricada, as seguintes características:
- peso = 200g;
- água = 64g;
- sabão anidro = 132g; e
- outros ingredientes = 4g.
Suponha que após 20 dias na prateleira do supermercado a mesma tenha perdido 22g de umidade. Assim as características da barra passaram a ser:
- peso = 178g;
- água = 42g;
- sabão anidro = 132g; e
-outros ingredientes = 4 g.
Como se vê, o consumidor, ao comprar o sabão do exemplo acima que pesava apenas 178g, ao invés das 200g esperadas , não teve nenhum prejuízo, pois todos o sabão existente na barra no tempo zero, ai permaneceu uma vez que o sabão não é volátil.
Apenas a água nele contido, o é.
Ressalta-se ainda que o preço de um determinado sabão é definido em função da sua composição, composição essa que deve ser fiscalizada na fábrica, uma vez que a perda natural e continua da água alterará, continua mente, as proporções entre os constituintes.
Para finalizar, uma vez conhecendo as características do produto no momento de sua fabricação e em um tempo qualquer posterior, é possível mediante técnica de reconstituição de peso, determinar se a barra de sabão tinha o devido peso quando da sua produção.